Aniversário da Cidade

Urucurituba completa 44 anos com grande festa popular

Cidade calma, repleta de belezas naturais e de um povo simples e hospitaleiro, banhada pelo Rio Amazonas e considerada uma das maiores produtoras de Cacau do Estado. Estamos falando da cidade de Urucurituba, localizada a 218 quilômetros de Manaus, que completa, sexta-feira (24), 44 anos de existência.

Administrada por José Claudenor Pontes (PT), popularmente conhecido como “Sabugo”, a cidade conta com mais de 22 mil habitantes, e está localizado à margem direita do médio Amazonas, ocupa uma aérea de 2 906,677 km², sendo  a 34º cidade mais populosa do estado, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2016).

Com uma extensa programação de festejos, Sabugo preparou o início dos festejos com missa de ação de graças na Igreja Católica, seguida por gincanas e apresentações culturais na quinta-feira. Já na manhã de sexta-feira, a prefeitura organizou a Noite Gospel que envolverá as igrejas Batista, Presbiteriana, Assembleia de Deus e em seguida a apresentação da Banda Gospel Templos e a meia-noite a cidade comemora com fogos de artifícios com os parabéns a cidade e a apresentação do show nacional com o cantor Paulo Ricardo, além, de atrações regionais como Uendel Pinheiro e George Japa. Na ocasião, será lançado oficialmente a XVII Festa do Cacau 2020.

História da Cidade

Quem vê Urucurituba nos dias atuais, não imagina a longa batalha política que o município enfrentou para se  transformar na cidade que é atualmente.

Fundada em 1976 pelo então prefeito Felix Vital, a construção do município foi realizada por meio de um mutirão, que na época reuniu mais de 400 homens. A cidade, considerada modelo, foi devidamente planejada, trabalho executado pelo extinto Instituto de Cooperação Técnica Intermunicipal (Icoti), pertencente ao governo do estadual.

O município tem como a principal atividade econômica a produção do Cacau, tendo uma festa em comemoração à colheita do fruto.

A cidade faz fronteira com municípios de: Urucará, Itacoatiara, São Sebastião do Uatumã, Parintins, Silves, Itapiranga, Barreirinha e Boa Vista do Ramos. Com uma temperatura média anual mínima de 25 °C e de 34 °C como média máxima, o município é considerado quente, por estar na região equatorial com clima típico da região amazônica.

O município possui uma das faunas e flora mais completas da região, que traduz toda sua magia, por meio de lagos imensos, paranás e exuberante floresta.

 

Orgulho de ser Urucuritubense

Apaixonado pelo município, Acenildo Magalhães, o “Babau”é só elogios ao falar da cidade.

“Falar de Urucurituba é muito fácil porque aprendi a amar o município, tanto na alegria como nas dificuldades. Há anos atrás a gente tinha um município pequeno, com pouco desenvolvimento, mas Urucurituba foi crescendo, as pessoas foram chegando e construindo seus negócios e isso foi desenvolvendo a cidade. O município tem pessoas hospitaleiras, é repleto de belezas naturais e todo visitante é sempre bem-vindo à cidade.

Cronologia Histórica

Urucurituba fazia parte do município de Itacoatiara até junho de 1935. Os índios das tribos Mundurucus e Maués foram os primeiros habitantes da região. A primeira sede do município foi em um sítio de Cacaueiros. Depois de 68 anos, a sede da cidade foi transferida definitivamente para um lugar denominado Tabocal, por meio do decreto legislativo municipal de número 02/75 e inaugurada em 24 de janeiro de 1976, data que é considerada oficialmente o aniversário da cidade.

A transferência da sede do municipal aconteceu devido aos grandes e sucessivas enchentes do Rio Amazonas, que causava grandes prejuízos à população. Atualmente, a sede do município está em um terreno de maior elevação, que facilitará o seu crescimento e desenvolvimento futuro.

O livro, “Urucurituba-AM – Realidade, Passado e Presente”, do Urucuritubense  Carlos Alberto, conhecido como “Betinho”, retrata a história da criação do município até os dias atuais.

De acordo com a obra, apesar da criação da cidade ser registrada apenas em 1976, as primeiras noticiais sobre o surgimento do município datam de 1881. Em 1887, o povoado foi elevado a freguesia com a denominação de freguesia de São José de Urucurituba, projeto do deputado Cônego José Henrique Féux da Cruz Dácia. Já em 1896, com a elevação da freguesia à vila, pela lei estadual nº 118 de 27 de abril 1896, o município teve o território desmembrado de Silves e Urucará.

Devido a um sério conflito político, um ano depois da instalação, o município e a vila foram extintos por força da Lei Estadual de nº 164, de 14 de maio de 1897. Um ano depois, foi restabelecido por outra lei municipal.

Em outra reviravolta política, o município foi ordenado a ser anexado a Itacoatiara pelo ato nº 45 de 28 de novembro de 1930, sendo rebaixado a simples Delegacia Municipal de Itacoatiara em 1931. Todavia em 2 de junho de 1935, pela constituição do Estado, foi restabelecida a autonomia do município de Urucurituba e elevada à categoria de cidade pelo decreto estadual de nº 68 de 31 março de 1938.

Como se pode observar o município de Urucurituba passou por momentos de inquietação política. Isso causou um retrocesso muito grande na vida política e administrativa da cidade, impedido de certa forma o seu desenvolvimento.

O município perdeu uma parte de seu território para Urucará abrangendo o Paraná do Comprido e do Albano; para Boa Vista do Ramos, compreendendo a área do Paraná do Ramos. Entretanto, ganhou uma parte de Itacoatiara, que vai da entrada do igarapé das Piranhas até a comunidade santo Antônio no Agostinho.

Principais atividades econômicas

Atualmente as principais atividades do município é agropecuária, plantação de mandioca, pesca artesanal e a plantação de Cacau, atividade que coloca o município em 4º lugar no ranking de maiores produtores da fruta no Amazonas, com 118, 50 toneladas por ano, segundo a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror).

O município também é conhecido pelo manejo sustentável do Pirarucu, exportando em considerável quantidade. A produção da juta também já foi uma fonte de renda dos urucuritubense.

Em 2015, segundo o IBGE, o salário médio mensal dos moradores era de 2 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 3.2%.

A cidade de Urucurituba possui três instituições bancarias, com um posto avançado do Bradesco, banco postal, convenio entre os Correios/Banco do Brasil e tem uma representação da Caixa Econômica Federal. Também conta uma unidade hospitalar estadual “Silvério Tundis”, dois postos de saúde municipais, quatro escolas estaduais, cinco escolas municipais, uma creche, uma Biblioteca e um Centro de Convivência do Idoso.

A “Princesinha do médio Solimões” como também é conhecida tem um porto hidroviário, considerado um dos melhores do Amazonas. É claro, não podemos esquecer, de um dos seus principais atrativos, os sítios arqueológicos, um verdadeiro santuário das civilizações que habitaram no município anos atrás. O local é preservado pelo professor e pesquisar José Alberto Neves.

O município tem dois distritos importantes, Augusto Montenegro e Itapeaçu. O primeiro que já foi sede municipal, é chamado de Urucurituba velho.

Cultura

Além da tradicional Festa do Cacau, o município também registra outro grande evento, o Festival Folclórico, que é conhecido pela disputa entre quadrilhas. No festival também tem a disputa dos bumbás Estrela Azul e Touro Branco.

Outra coisa que vive no imaginário dos Urucuritubense é a lenda da “Cobra Grande da Cabeça de boi”. Segundo relatos, um morador de Janio Libório morador do Tabocal local, onde hoje é a nova sede da cidade, saiu de sua casa para tirar madeiras para fazer uma armação de uma casa de farinha.

Depois de ter andado um bom pedaço pela mata adentro e ter tirado quase toda a madeira, parou para descansar. Tomou água, comeu umas bananas com chibé de farinha e pimenta. Enquanto descansava ouviu o canto de alguns pássaros como se estivessem assustados. Em seguida, a mata escureceu devido a formação de um temporal e o vento começou a soprar forte sobre as árvores. Nesse instante ele ouviu um barulho estranho, como um urro de um animal desconhecido. Ao se aproximar da beira de um riacho avistou uma enorme cobra com chifres como a de um boi.

O fato denominou o lugar de “Cabeça de Boi”, que é conhecido até hoje pela população da cidade. Atualmente sua margem está habitada por moradores e fica situado no centro do município. A lenda deu origem à música “Reino Encantado” do compositor Jorge Magno com arranjo de Pedro Marques.

 

+++

Com informações Especial Municípios – Jornal Amazonas Em Tempo