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A vitória de Artur Neto em 1988 (parte 2)

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“É dureza um cidadão que vive aqui, paga seus impostos direito e recebe no final do mês um miserável salário, passar duas ou três horas à espera de um ônibus coletivo. Isso vai acabar, comigo dirigindo o destino de Manaus. Vou criar uma empresa estatal de coletivos urbanos e servir bem a coletividade abrindo concorrencia em quase todas as linhas de ônibus”, disse o prefeito eleito de Manaus em sua primeira entrevista coletiva no dia 20/11/1988.

 

 

 

Enquanto Artur Neto pontificava-se como um “novo líder”, no lado governista, Amazonino e Gilberto – que sairam arranhados com a derrota para Artur – negavam rumores que a Aliança Democrática iria acabar; por outro lado, Josué Filho, o vice de Gilberto naquela eleição, mostrou a cara e rompeu publicamente com Amazonino Mendes: “O governador não me queria como vice de Gilberto”, alegando que Amazonino fizera “corpo mole” no pleito. “Amazonino começou a mudar seu comportamento quando criou o partido democratico cristão (PDC) e passou a retirar vereadores e deputados do PFL e PMDB”, disse a época (com toda razão) Josué Filho.

Amazonino respondera a Josué Filho em outra concorrida coletiva à imprensa na sede do Palácio Rio Negro afirmando que “se tratava de um rapaz despreparado e que já tinha perdido duas eleições, uma para Gilberto, em 82, e outra agora para Artur” (Jornal A Crítica 23/11/1988).

DIAS MELHORES VIRÃO – Briga daqui, reclama dali, o resultado foi que Artur Neto e sua coligação venceu em Manaus uma eleição que era quase impossivel crer que o grupo do poder (governo e prefeitura) perderiam para um ex aliado, um rebelde. Amazonino, assim como Mestrinho queria, colocou toda a estrutura do governo para angariar votos à sua eleição. Faltou combinar com o povo. Eles queriam mudança e viam no jovem Artur a esperança de que dias melhores viriam, curiosamente o slogan que Mestrinho usava tão logo saira do governo e passar o bastão para Amazonino Mendes, que o sucedeu em 1987. 

Amazonino Mendes reafirmou em frase polêmica que Mestrinho perdeu para ele mesmo. A escolha foi dele, disse. “A assessoria dele parecia estar deslumbrada diante de sua candidatura. Faltou irem à luta”, disse Amazonino.

No dia 16 de novembro de 1988, Amazonino completou 49 anos de idade e bem poderia comemorar com a vitória da chapa Gilberto/Josué para a prefeitura de Manaus. Mas não deu.

Quem comemorou um dia antes foi Artur Neto, nascido no dia 15 de novembro. O povo de Manaus naquele dia de eleição depositara seu presente nas urnas. Artur completara 44 anos e foi eleito prefeito mercê de foco, luta e abnegação.

Sua primeira esposa, a socióloga Jackeline Arduine do Carmo Ribeiro, de beleza inigualável, teve papel prepoderante na eleição do então esposo atuando de maneira firme em momentos cruciais da campanha. Paciência e firmeza eram a tônica da personalidade da primeira dama, então com 33 anos.

 

ERA 1988.

 

Marcelo Guerra / Jornalista MTB 492/AM – MBA Administração Pública
E mail: marceloguerra1@hotmail.com