Polo Industrial de Manaus

Prefeita de Presidente Figueiredo enfrenta chuva junto com trabalhadores da Jayoro em protesto contra decreto que zera IPI dos concentrados

Agroindústria de açúcar, álcool e guaraná, principal fornecedora de insumos para fabricação de concentrados no Amazonas, pode fechar as portas se ficar sem o incentivo fiscal de 6% do IPI

A prefeita de Presidente Figueiredo, Patrícia Lopes, participou nesta quarta-feira (04/05) do protesto realizado pelos trabalhadores da Agroindústria Jayoro, instalada no município (distante 107 quilômetros de Manaus), contra o decreto do governo federal que zerou a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do concentrado de refrigerante, tirando a competitividade dos fabricantes instalados no estado do Amazonas.

“Vocês não estão só. Contam com apoio da prefeitura de Presidente Figueiredo. Desde o momento que soube da publicação do decreto, comecei a buscar o apoio da bancada do Amazona no Congresso Nacional, para que nosso deputados federais e senadores se unam a nós na defesa desse grande contingente de trabalhadores que está com seus empregos ameaçados”, disse Patrícia Lopes, que se juntou aos mais de 600 trabalhadores da agroindústria, que desde as 6h30 da manhã se mobilizaram para fechar a BR 174, rodovia federal que liga o Amazonas a Roraima, em protesto contra o decreto que torna sem efeito o benefício fiscal de isenção do IPI concedido as industrias do polo de concentrados, localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM).


A prefeita disse que fará tudo que estiver ao seu alcance para não permitir que a Jayoro, empresa que mais gera emprego e renda no município feche as suas portas e, com isso, deixe milhares de pessoas desempregadas e tenham que sofrer as consequências desse ato.

“Essas pessoas que estão lá fora, e não conhecem a nossa realidade, precisam compreender e entender que o estado Amazonas possui uma logística diferenciada, o que torna tão importante os incentivos fiscais para que as empresas se instalem e permaneçam aqui, gerando emprego e renda ao nosso povo. Para se ter uma floresta em pé, é preciso dar oportunidades aos amazonenses”, destacou Patrícia Lopes, garantindo que vai lutar até o fim para proteger o emprego dos trabalhadores da Jayoro.

“Nós lutaremos até o fim. Porque não vou me curvar diante das dificuldades, para que vocês tenham os seus empregos garantidos. Com isso estou lutando para garantir o desenvolvimento do município de Presidente Figueiredo, porque são vocês que moram aqui, que trabalham na Jayoro, quem consomem no mercado local e, se isso vier a acontecer, muitos comerciantes virão a fechar suas portas”, afirmou a prefeita.

Ponderou ainda que, sem a empresa e, consequentemente, sem os trabalhadores recebendo os seus salários – que hoje corresponde a uma injeção mensal de R$ 360 milhões na economia local – a prefeitura vai ter uma queda brusca na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS), com isso, perderá a capacidade de investimento na educação e na saúde, por exemplo.

“Não podemos permitir que nosso município regrida. Temos que lutar para que Presidente Figueiredo possa avançar cada vez mais. Por isso estou aqui, irmanada com cada um de vocês, ciente de que diante de mim não estão apenas homens e mulheres que defendem o seu emprego, mas, são famílias que necessitam desse emprego para sobreviver. Contem comigo, vocês não estão sozinhos”, enfatizou.

Medo do desemprego

O químico, Jhon Lira, um dos líderes dos trabalhadores, disse que o maior medo dos trabalhadores da Jayoro é que, a retirada, via decreto, dos benefícios fiscais forcem uma saída da empresa da região, causando assim uma onda de desemprego.

“O governo federal zerou o IPI e isso nos afeta diretamente porque nós somos a única agroindústria no Estado do Amazonas e tanto na produção de extrato de guaraná quando na produção do guaraná mais açúcar. Sem o incentivo nós corremos um grande risco de as empresas não conseguir se manter por conta da questão logística que é muito difícil”.

Interdição e passeata

Mobilizados deste as 6h desta quarta-feira, na rodoviária de Presidente Figueiredo, para se proteger da chuva que começou a cair na cidade desde as primeiras horas da madrugada, os mais de 600 trabalhadores da Agroindústria Jayoro receberam apoio da prefeita Patrícia Lopes e também dos vereadores, que só iniciaram a sessão plenária, depois de encerrado o protesto.

Eles esperam por mais de três horas concentrados na rodoviária e, como a chuva não parou, interditaram por mais de uma hora a rodovia federal BR-319, na altura do quilômetro 107. Após os discursos, ainda sob forte chuva, seguiram em passeata até a praça Vitória, no centro da cidade, onde encerram a manifestação com uma oração, pedindo proteção e que consigam reverter a situação que põe em risco seus empregos.

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